A Pessoa Humana
Jacques Maritain descreve sobre o
assunto referente à dois aspectos metafísicos, a individualidade e
personalidade, segundo ele, são distintos e criam atrações em conflitos entre
si, em cada ser humano. Sendo indispensável focalizar e esclarecer a noção de
pessoa para caracterizar conscisamente as relações entre a pessoa humana e a
sociedade.
Seguiremos com a narrativa do
autor, porém, faremos ponderação para enfatizar ou mesmo complementar. Cada pessoa
é portadora de um grande mistério, a personalidade humana. O traço essencial de
uma civilização é a noção e o respeito da dignidade humana. Há a ideia pacífica
que devemos estar sempre preparados para oferecer a própria vida, para defender
os direitos da pessoa humana e a liberdade. O autor faz dois questionamentos para
que o sacrifício seja passível.
Qual o valor implícito na
personalidade do homem? Que desejamos com precisão designar, quando falamos da
pessoa humana?
O autor relata que ao afirmarmos
que o homem é uma pessoa, significa que ele não é somente uma porção de matéria,
um elemento individual na natureza, como um átomo e outros elementos
individuais. E faz outro questionamento.
Onde estão a liberdade, a
dignidade e os direitos de um pedaço individual de matéria?
Segundo o autor, os elementos individuais
não dão suas vidas para defender os seus direitos e à liberdade. O autor cita
um galho de chá, uma mosca e um elefante, como exemplo desses elementos.
Prosseguindo com o texto, o homem é um animal e um indivíduo diferente dos
demais. Ele se sustenta e se conduz pela inteligência e pela vontade não apenas
de maneira física, pois, há nele uma existência mais rica e mais elevada, que o
faz superexistir espiritualmente em conhecimento e amor. Sendo assim, de algum
modo, um todo e não somente uma parte.
O homem é em si mesmo um
universo, um microcosmo em que o grande universo pode ser contido por inteiro
graças ao conhecimento, que pelo amor pode dar-se livremente a seres que são
como outras encarnações de si próprio. Vejamos, essa descrição do autor nos
permite um entendimento, ou vários, que está sujeito ao que temos preestabelecido
pelos conceitos matizados pelo ambiente onde estamos inseridos. O leitor pode
interpretar pela sua visão espiritualista, filosófica, sociológica ou científica,
essa no que diz respeito à evolução da natureza. Mas, o autor a faz pela visão
filosófica cristã.
Voltando ao texto. É impossível
encontrar equivalente dessa relação por todo o universo físico, já nos termos
filosóficos quer dizer que na carne e nos ossos do homem há uma alma que é um
espírito e que vale mais que todo o universo material. A pessoa humana por mais
dependente que seja dos menores acidentes da matéria, ela existe em virtude da
própria existência de sua alma, que domina o tempo e a morte. É o espírito a
raiz da personalidade.
Nessa noção está encerrada a de
totalidade e independência, por mais indigente e esmagada que seja a pessoa é
como tal um todo e que subsiste de matéria independente. Afirmando que o homem é
uma pessoa, quer dizer que no intrínseco de seu ser ele é um todo, mais do que
uma parte, mais independente que servo. Esse mistério da natureza da pessoa
humana que o pensamento religioso designa, afirmando ser a pessoa humana a
imagem de Deus.
O valor da pessoa, sua liberdade,
seus direitos pertencem à ordem das coisas naturalmente sagradas, marcadas pela
chancela do Pai dos seres, que tem nele o termo de seu movimento. A pessoa tem
uma dignidade absoluta por estar em uma relação direta com o absoluto, no qual
a pessoa pode encontrar sua plena realização. Todo o universo dos bens que têm
um valor absoluto é a pátria espiritual da pessoa humana, esses bens refletem
de algum modo um Absoluto superior ao mundo e que são atraídos por ele. O autor
finaliza relatando sobre a equidade do senso da pessoa humana, indiferentemente
de suas convicções filosóficas, pois, é comum a todos as filosofias
reconhecerem a existência de um Absoluto superior à ordem total do universo, e
o valor supratemporal da alma humana.
Para darmos por encerrado essa
parte da leitura, reiteramos a existência da Principia das Ordens Sociais, nela
toda sociedade esmera seus fundamentos autonomamente de seus segmentos.
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