domingo, 24 de julho de 2016

OS DIREITOS DO HOMEM

A Pessoa Humana

Jacques Maritain descreve sobre o assunto referente à dois aspectos metafísicos, a individualidade e personalidade, segundo ele, são distintos e criam atrações em conflitos entre si, em cada ser humano. Sendo indispensável focalizar e esclarecer a noção de pessoa para caracterizar conscisamente as relações entre a pessoa humana e a sociedade.

Seguiremos com a narrativa do autor, porém, faremos ponderação para enfatizar ou mesmo complementar. Cada pessoa é portadora de um grande mistério, a personalidade humana. O traço essencial de uma civilização é a noção e o respeito da dignidade humana. Há a ideia pacífica que devemos estar sempre preparados para oferecer a própria vida, para defender os direitos da pessoa humana e a liberdade. O autor faz dois questionamentos para que o sacrifício seja passível.

Qual o valor implícito na personalidade do homem? Que desejamos com precisão designar, quando falamos da pessoa humana?

O autor relata que ao afirmarmos que o homem é uma pessoa, significa que ele não é somente uma porção de matéria, um elemento individual na natureza, como um átomo e outros elementos individuais. E faz outro questionamento.

Onde estão a liberdade, a dignidade e os direitos de um pedaço individual de matéria?

Segundo o autor, os elementos individuais não dão suas vidas para defender os seus direitos e à liberdade. O autor cita um galho de chá, uma mosca e um elefante, como exemplo desses elementos. Prosseguindo com o texto, o homem é um animal e um indivíduo diferente dos demais. Ele se sustenta e se conduz pela inteligência e pela vontade não apenas de maneira física, pois, há nele uma existência mais rica e mais elevada, que o faz superexistir espiritualmente em conhecimento e amor. Sendo assim, de algum modo, um todo e não somente uma parte.

O homem é em si mesmo um universo, um microcosmo em que o grande universo pode ser contido por inteiro graças ao conhecimento, que pelo amor pode dar-se livremente a seres que são como outras encarnações de si próprio. Vejamos, essa descrição do autor nos permite um entendimento, ou vários, que está sujeito ao que temos preestabelecido pelos conceitos matizados pelo ambiente onde estamos inseridos. O leitor pode interpretar pela sua visão espiritualista, filosófica, sociológica ou científica, essa no que diz respeito à evolução da natureza. Mas, o autor a faz pela visão filosófica cristã.

Voltando ao texto. É impossível encontrar equivalente dessa relação por todo o universo físico, já nos termos filosóficos quer dizer que na carne e nos ossos do homem há uma alma que é um espírito e que vale mais que todo o universo material. A pessoa humana por mais dependente que seja dos menores acidentes da matéria, ela existe em virtude da própria existência de sua alma, que domina o tempo e a morte. É o espírito a raiz da personalidade.

Nessa noção está encerrada a de totalidade e independência, por mais indigente e esmagada que seja a pessoa é como tal um todo e que subsiste de matéria independente. Afirmando que o homem é uma pessoa, quer dizer que no intrínseco de seu ser ele é um todo, mais do que uma parte, mais independente que servo. Esse mistério da natureza da pessoa humana que o pensamento religioso designa, afirmando ser a pessoa humana a imagem de Deus.

O valor da pessoa, sua liberdade, seus direitos pertencem à ordem das coisas naturalmente sagradas, marcadas pela chancela do Pai dos seres, que tem nele o termo de seu movimento. A pessoa tem uma dignidade absoluta por estar em uma relação direta com o absoluto, no qual a pessoa pode encontrar sua plena realização. Todo o universo dos bens que têm um valor absoluto é a pátria espiritual da pessoa humana, esses bens refletem de algum modo um Absoluto superior ao mundo e que são atraídos por ele. O autor finaliza relatando sobre a equidade do senso da pessoa humana, indiferentemente de suas convicções filosóficas, pois, é comum a todos as filosofias reconhecerem a existência de um Absoluto superior à ordem total do universo, e o valor supratemporal da alma humana.


Para darmos por encerrado essa parte da leitura, reiteramos a existência da Principia das Ordens Sociais, nela toda sociedade esmera seus fundamentos autonomamente de seus segmentos. Continue acompanhando nossa Série de Leituras.