domingo, 17 de julho de 2016

OS DIREITOS DO HOMEM

Seguindo com a segunda conclusão do autor do prefácio à terceira edição do livro Os Direitos do Homem, Alceu Amoroso Lima, o que tem nos chamado atenção é que a leitura dessa obra nos mostra o quanto o seu conteúdo é real nos dias de hoje, ou seja, como se a publicação fosse recente.

O autor do prefácio descreve a sua segunda conclusão - sobre a realidade monstruosa da História contemporânea, definição do próprio autor - que os homens nada aprenderam com as catástrofes de 1914 e de 1939, sendo essa conclusão muito mais patética do que a primeira. Quanto às catástrofes citadas, em ambas o resultado foi o mesmo, segundo o autor: a inconformidade dos vencidos e a ilusão dos vencedores. Ambos com visões distorcidas da realidade, pois, os vencedores julgavam que haviam trazido a paz à Humanidade e os vencidos inconformados pela derrota, preparando-se para a desforra.

As duas grandes guerras foram empreendidas sob o pretexto de defender os direitos dos homens contra a tirania dos sistemas, porém, deixou uma verdade patente e experimental, que a violência não resolve. E que o homem moderno, apesar de todo do assombroso progresso técnico, continuava acreditar cada vez mais, contra a evidência histórica, que só a violência resolve. Detalhe, a leitura do conteúdo nessas poucas linhas, nos mostra que a humanidade ainda tem enraizada a crença que a violência resolve. Quando nos referimos à violência, afirmamos atuação dela em todas as formas – físico, psicológico, social, político, econômico etc. – e patamares, do menor até o mais alto grau.

Lamentamos quando as pessoas rejeitam comentar ou mesmo fazer uma reflexão sobre esse tema, principalmente, as que se dizem não afeitas aos assuntos de áreas humanas, porque seus interesses maiores são as exatas ou as biológicas. Ora, não desmerecendo nenhuma área de conhecimento, mas se não atentarmos para assuntos que abordam a questão de relacionamentos humanos, estamos à mercê dos condutores maquiavélicos que usurparão esse desinteresse e seguirão ditando as regras em conformidade à suas pretensões. O interessante é que o autor do prefácio faz referência a três procedimentos que se poderiam realizá-los, tendo a opção apenas de um deles: a cegueira pela simples atitude de fechar os olhos à evidência dos fatos (o que geralmente se faz); recorrer ao pessimismo cínico e incitar a violência como solução (assim fazem os extremistas), cruzar os braços e deixar tudo como está (a conformidade da massa inerte). Mas, o autor faz uso de um dito popular para incitar a insistência de uma postura ideal, para que ocorra a mudança de fato, em benefício de todos. Fica a nossa exclamação, a necessidade em sermos multiplicadores de informações pertinentes para que isso ocorra! Lembramos que estamos discorrendo sobre o prefácio do livro, então, todas as vezes que citarmos o autor é referente a Alceu Amoroso Lima. Quando discorrermos sobre os capítulos do livro, então, passaremos a nos referir ao autor da obra.

É fato histórico, que por muitos anos, para os católicos a expressão “direitos do homem” foi considerada suspeita, como bem lembra o autor, porque era tida como uma herança da Revolução Francesa e em contradição com a filosofia cristã da existência e os ensinamentos da Igreja e da História. Cita também a insurgência contra o individualismo dos princípios de 1789 pelos positivistas, que lançaram o slogan “deveres do homem” para sobrepor-se aos direitos que se destacaram na declaração da independência dos norte-americanos em 1776. e nos princípios revolucionários franceses em 1789.

Finalizamos essa segunda etapa do prefácio, para que você possa fazer a sua reflexão sobre a leitura dessa etapa e reler se necessário, a primeira etapa. Daremos prosseguimento a essa série, sobre a leitura do livro Os Direitos do Homem, não temos dúvidas, que contribuirá com a sua visão sobre a realidade dos fatos marcantes da relação humana e tudo que lhe condiz.